Nieto e Paes
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Sábado,
11 fevereiro de 2006
Campanha de Serra está na internet
Ponto de destaque de site que estreou ontem é um ma nifesto de apoio à candidatura do prefeito à Presidência
Carlos Marchi
Entrou
no ar ontem o site www.joseserrapresidente.com.br, destinado a divulgar uma
candidatura à Presidência que o prefeito de São Paulo ainda reluta em
anunciar. O ponto de destaque do novo site é um manifesto de apoio a Serra,
recentemente lançado e assinado por vários amigos, entre eles o economista
Luiz Gonzaga Belluzzo. A advogada Fátima Nieto, presidente do conselho do
Instituto de Direito Político Eleitoral, disse que esse tipo de site configura
propaganda eleitoral indevida.
Desde
dezembro está no ar o site www.novapolitica.org.br, criado para apoiar a
candidatura presidencial do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e
registrado na Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
em nome de uma entidade chamada Juventude Latino-Americana pela Democracia
(Julad), cujo presidente é o carioca Silvério Zebral. Este site também
praticaria propaganda indevida.
MANIFESTO
O
site de apoio a Serra foi criado pela jornalista Lu Fernandes, que é amiga e
assessora informal de Serra há muito tempo, e pelo designer Aníbal Sá. O
registro na Fapesp foi feito em nome da empresa Chabassus Lanchonete, que
pertence à família do economista José Márcio Rego, um dos signatários do
manifesto, que inclui ainda, entre outros, os cientistas políticos Gildo Marçal
Brandão, José Álvaro Moisés e Maria Hermínia Tavares de Almeida, o
economista Roberto Macedo e o sociólogo Brasílio Machado Júnior.
O
espaço destaca a posição de Serra nas últimas pesquisas de opinião, divulga
artigos que apóiam a sua candidatura a presidente direta ou indiretamente e
exibe uma alentada biografia do candidato. Lu Fernandes disse que o site é
"a favor da candidatura Serra e não contra a candidatura Alckmin".
Já
o site de apoio a Alckmin é bem mais tímido. Diz que o espaço "é uma
iniciativa conjunta de diversas organizações da sociedade civil
organizada", mas não as cita. O Estado tentou falar com Zebral ontem, mas
depois de atender à primeira ligação, ele desligou os telefones.
Na
relação da coordenação nacional de uma "Frente Nacional da Sociedade
Civil" consta o nome de Aline Barabinot como responsável por Relações
Internacionais. Ouvida pelo Estado, Aline disse não saber que seu nome constava
do site e que ela ocupa o cargo de coordenadora de Relações Internacionais da
Julad. Aline é filiada ao PSDB, mas contou que não tem preferências entre as
pré-candidaturas de Serra e Alckmin.
PROBLEMAS
Em
setembro de 2005, Alckmin entrou com representação no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para eliminar o registro de vários sites com seu nome, feito na
Fapesp por Carlos Donizete de Freitas. O TSE determinou que os registros -
www.geraldopresidente.com.br, www.alckminpresidente.com.br,
www.geraldoalckmin.com.br e www.geraldoalckminpresidente.com.br fossem
cancelados.
Ainda no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o dono de uma gráfica de Rio das Ostras (RJ), certamente pensando que o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, seria candidato à Presidência, registrou vários domínios com o nome dele. O TSE, acionado pelo advogado de Malan, mandou que todos eles fossem imediatamente cancelados.
Para advogada, é propaganda ilegal
O
TSE tem sido tolerante no julgamento de possíveis excessos de propaganda
eleitoral pela internet, reconhece a advogada Fátima
Nieto. Mas no sentido
estrito da Lei Eleitoral, diz ela, os sites de apoio às pré-candidaturas de
José Serra e Geraldo Alckmin configuram propaganda eleitoral indevida e podem
ser retirados da rede.
Ela
explicou que os tribunais eleitorais têm sido tolerantes porque a internet é
um meio de circulação relativamente restrita, considerando-se o total do
eleitorado, e de caráter essencialmente volitivo - só entra num site quem
decide previamente fazê-lo.
Mas,
na letra fria da lei, acrescenta, um site pode fazer a propaganda que quiser de
uma pessoa desde que não faça referências a cargos ou disputas eleitorais. Já
no Orkut, entende Fátima,
o rigor dos tribunais é menor ainda, porque não é uma forma elaborada de
propaganda dirigida.
Ricardo Penteado, que foi advogado de Serra em 2004, diz que, se alguém pedir o cancelamento do site, será possível defendê-lo. Ele argumenta que "uma candidatura não nasce de inopino e é evidente que a sociedade tem todo direito de debater o surgimento dela".